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22 outubro 2008

Versos



Versos! Versos!
Sei lá o que são versos…
Pedaços de sorriso, branca espuma,
Gargalhadas de luz.cantos dispersos,
Ou pétalas que caem uma a uma.

Versos!… Sei lá!
Um verso é teu olhar,
Um verso é teu sorriso e os de Dante
Eram o seu amor a soluçar
Aos pés da sua estremecida amante!

Meus versos!…
Sei eu lá também que são…
Sei lá! Sei lá!… Meu pobre coração
Partido em mil pedaços são talvez…

Versos! Versos!
Sei lá o que são versos...
Meus soluços de dor que andam dispersos
Por este grande amor em que não crês!…

Florbela Espanca

02 outubro 2008

Ser poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

Florbela Espanca